A festa virou palanque: quando a cultura é capturada pela ideologia
Artigo critica a utilização do Carnaval como instrumento de promoção ideológica e defende a cultura como expressão livre do povo.
O que deveria ser uma manifestação cultural do povo brasileiro transformou-se em mais um episódio de aparelhamento ideológico promovido por quem está no poder.
O Carnaval, que sempre foi espaço de liberdade artística e celebração popular, acabou sendo utilizado como instrumento de propaganda política. Não foi uma homenagem espontânea da cultura nacional. Foi a construção de uma narrativa cuidadosamente dirigida para exaltar um projeto de poder — justamente em um momento em que o país enfrenta graves problemas econômicos, sociais e de segurança.
Enquanto milhões de brasileiros lutam para pagar as contas, veem a violência crescer e sentem o peso de um Estado ineficiente, setores alinhados ao governo preferem usar símbolos culturais para promover lideranças e reforçar uma visão política única, como se o Brasil tivesse dono.
Ainda mais preocupante foi a forma como valores caros à sociedade — a fé cristã, a família e os princípios que estruturam a maioria da população — foram tratados com desdém e caricaturados. Quando expressões culturais passam a zombar daquilo que sustenta moralmente o povo, não estamos mais falando de arte. Estamos falando de militância travestida de cultura.
Cultura não é ferramenta de engenharia social.
Festa popular não é palanque.
Dinheiro público não pode financiar promoção ideológica.
O Brasil real — o das igrejas cheias, das famílias que trabalham, dos jovens que querem futuro — não se reconhece nesse tipo de espetáculo politizado. O povo quer emprego, segurança, educação de qualidade e respeito às suas crenças, não doutrinação disfarçada de manifestação artística.
A cultura brasileira sempre foi plural porque nasceu do povo, não de governos. Quando o Estado tenta conduzi-la, ela deixa de ser expressão livre e passa a ser instrumento de poder.
E toda vez que a cultura vira propaganda, quem perde é a democracia.
Por Dias Filho
Colunista Escotilha News