Viçosa do Ceará, onde a gestão contrata show pra assinar o inexistente
Contrato de show em Viçosa do Ceará gera críticas diante de problemas básicos enfrentados pela população.
Em meio a tantas necessidades reais da população, a gestão de Viçosa do Ceará parece insistir em governar para a vitrine — e não para a vida real. O contrato de R$ 180 mil para um show artístico, sob justificativa de “ato institucional”, já causa indignação por si só. Mas o que torna a situação ainda mais grave é o contraste brutal com o que a população enfrenta no dia a dia. Enquanto há dinheiro para espetáculo, faltam respostas para quem mais precisa.
Os próprios moradores expõem essa realidade sem filtro:
“Faz um ano que brigo na justiça pra conseguir um direito da minha filha… não vou desistir.”
Esse não é apenas um desabafo — é o retrato de um sistema que falha justamente onde deveria ser mais eficiente: garantir direitos básicos.
Outro relato escancara ainda mais o abismo entre prioridade e necessidade:
“Já tem um hospital, mas não tem médicos.”
De que adianta estrutura sem funcionamento? De que adianta obra sem serviço?
E a indignação cresce quando o básico sequer é atendido:
“Quase 8 dias sem água… uma bomba custa 5 mil… e um show desse é de graça?”
Essa frase resume tudo. Não é só sobre o valor do show — é sobre escolha. Escolha de onde investir, escolha de quem atender, escolha do que é prioridade.
A gestão pública existe para resolver problemas concretos. Água, saúde, acesso a direitos. Quando isso falha, qualquer gasto com festa deixa de ser celebração e passa a ser provocação.
Não se trata de ser contra cultura ou eventos. Trata-se de responsabilidade. Trata-se de entender que, antes do palco, vem o povo. Antes do som alto, vem o silêncio de quem espera por atendimento. Antes da festa, vem a dignidade.
Quando cidadãos precisam recorrer à justiça para garantir direitos básicos, quando falta médico, quando falta água — não existe “ato institucional” que justifique festa.
Existe, sim, uma inversão clara de prioridades. E enquanto a gestão aposta em espetáculo, a população segue lutando — muitas vezes sozinha — pelo mínimo.
A pergunta não mudou, mas agora está ainda mais forte: até quando?
Dias Filho
Colunista - A Voz Jovem do Ceará