PRIORIDADES INVERTIDAS: O GOVERNO DO CEARÁ VIROU AS COSTAS PARA A JUVENTUDE
Artigo questiona a baixa destinação de recursos à juventude no Ceará em comparação com outras áreas do orçamento estadual.
Os números do orçamento público não apenas informam, eles denunciam.
Enquanto o Governo do Ceará administra mais de R$ 41 bilhões em 2025, a juventude, que deveria ser prioridade absoluta em qualquer projeto sério de desenvolvimento, recebe cerca de R$ 430 mil por ano.
Agora compare.
A Secretaria da Proteção Animal opera com um orçamento médio de aproximadamente R$ 21 milhões.
Repito:
R$ 21 milhões para uma pasta contra apenas R$ 430 mil para a juventude.
Isso não é um detalhe técnico. Isso é um retrato claro de prioridades invertidas.
Não se trata de desmerecer nenhuma causa. A proteção animal é importante e necessária. Mas existe uma distorção evidente quando o Estado decide investir dezenas de vezes mais em uma área do que na geração que vai sustentar o futuro econômico, social e institucional do Ceará.
A conta é simples, e preocupante:
O governo investe aproximadamente 50 vezes mais na causa animal do que na juventude.
Não é falta de recurso. É decisão política.
É a escolha de não priorizar jovens que enfrentam diariamente desemprego, evasão escolar, violência e ausência de oportunidades reais. É a decisão de manter políticas frágeis, fragmentadas e incapazes de gerar transformação estrutural.
E enquanto o Estado trata a juventude como algo secundário, Fortaleza mostra que outro caminho é possível.
A capital cearense construiu, ao longo dos anos, uma política pública de juventude que funciona na prática. A Rede CUCA é prova concreta disso: equipamentos ativos, programas contínuos e impacto direto na vida de milhares de jovens.
Isso não surgiu por acaso. Foi resultado de gestão, planejamento e prioridade política.
A diferença é clara.
De um lado, um Estado com bilhões que escolhe não investir na juventude.
Do outro, um município que, mesmo com menos recursos, entrega mais porque decidiu priorizar o futuro.
E é exatamente disso que estamos falando: futuro.
Ignorar a juventude hoje é comprometer o desenvolvimento amanhã. É perpetuar desigualdades, aumentar a vulnerabilidade social e desperdiçar o potencial de uma geração inteira.
Os números não deixam espaço para interpretação.
Eles escancaram uma realidade que muitos preferem não enfrentar:
O Governo do Ceará não trata a juventude como prioridade.
E enquanto isso não mudar, o Estado continuará pagando um preço alto, não apenas em indicadores, mas em vidas, oportunidades perdidas e futuros interrompidos.
A pergunta que fica é inevitável: Até quando o Ceará vai aceitar essa inversão de prioridades?
Por Dias Filho
Colunista A Voz Jovem do Ceará