Colunista Capitão Horizonte

Debate da Band: muitos ataques, poucas propostas e uma preocupação com o futuro do Brasil

Capitão Horizonte analisa o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, critica os ataques pessoais e cobra propostas concretas e resultados para o Brasil.

Publicado em 20/10/2026 11:56
Por Redação Escotilha
Em Opinião
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Assisti com muita preocupação ao debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, realizado pela Band neste domingo (18). Esperava um confronto de ideias, propostas concretas e soluções para os principais problemas do Brasil. Infelizmente, na minha avaliação, o debate deixou a desejar.

Em vez de priorizarem os caminhos para melhorar a vida dos brasileiros, os candidatos gastaram boa parte do tempo trocando acusações, fazendo provocações e trazendo questões pessoais, inclusive envolvendo familiares. A política precisa estar acima disso.

Na minha percepção, Lula demonstrou nervosismo em diversos momentos, enquanto Flávio Bolsonaro conseguiu se sair um pouco melhor no confronto. Entretanto, isso não significa que o debate tenha sido bom. Ter melhor desempenho diante das câmeras não é o mesmo que apresentar as melhores propostas para governar um país.

Houve assuntos importantes, como segurança pública, economia, saúde, combate ao crime organizado, fraudes no INSS e direitos dos trabalhadores. Flávio defendeu o endurecimento das leis penais, enquanto Lula destacou a distribuição de renda, o fortalecimento dos pequenos negócios e uma maior participação do governo federal no combate à criminalidade. Também foram apresentadas propostas para a saúde pública e para o desenvolvimento econômico.

São temas que merecem ser discutidos com seriedade, transparência e profundidade. Propostas como a redução da maioridade penal, a castração química, a criação de novos ministérios e as mudanças na segurança pública precisam ser avaliadas quanto à viabilidade, aos custos, aos resultados esperados e aos impactos para a sociedade.

O mesmo vale para as acusações feitas durante o debate. Suspeitas precisam ser investigadas, responsabilidades devem ser apuradas e eventuais culpados, responsabilizados conforme a lei. Acusação política não substitui prova, assim como ninguém deve estar acima da fiscalização.

O que mais me preocupa é a distância entre o espetáculo político e os problemas reais da população. Enquanto os candidatos trocam farpas, o brasileiro continua enfrentando a violência, o custo de vida, as dificuldades no atendimento à saúde e a insegurança sobre o futuro.

O eleitor não precisa de um presidente que apenas vença um debate. Precisa de alguém capaz de governar, construir soluções, respeitar as instituições e apresentar resultados concretos.

Há, porém, uma pergunta que não pode ficar de fora dessa discussão: Lula já esteve à frente da Presidência por dois mandatos, entre 2003 e 2010, e voltou ao cargo em 2023. O PT também governou o país durante parte do período de Dilma Rousseff. Diante de tanto tempo de influência e poder, por que tantas promessas continuam sendo apresentadas como se ainda precisassem começar a sair do papel?

Se o caminho para melhorar a economia, distribuir renda, fortalecer os pequenos negócios e reduzir a pobreza já era conhecido, por que esses problemas continuam entre as principais preocupações dos brasileiros? É legítimo reconhecer avanços de governos anteriores, mas também é necessário cobrar resultados, identificar o que não funcionou e explicar o que ainda precisa ser feito.

Quem já teve tanto tempo para governar precisa apresentar mais do que promessas: precisa prestar contas. O eleitor tem o direito de perguntar o que foi realizado, o que ficou pelo caminho e por que determinadas soluções ainda são apresentadas como novidade a cada eleição.

Na minha avaliação, Flávio Bolsonaro teve uma atuação um pouco melhor naquela noite, mas ambos deixaram a desejar naquilo que considero essencial: apresentar propostas consistentes e explicar como pretendem executá-las.

A pergunta que fica é simples: estamos escolhendo um presidente para administrar o Brasil ou apenas assistindo a uma disputa para ver quem consegue atacar melhor o adversário?

Na Política na Lata, a opinião é livre, mas a cobrança é obrigatória. O Brasil é maior do que qualquer partido, família ou projeto pessoal de poder. E o futuro do nosso país merece muito mais do que um debate marcado por ataques.

Por Capitão Horizonte | EscotilhaNews