Estamos perdendo nossa capacidade de raciocinar?
Hábitos que desenvolvem mais a nossa capacidade intelectual como a leitura e até mesmo a meditação adquirem um status secundário em nossas preferências
A Oxford University Press escolheu o termo Brain Rot (“podridão cerebral” em português) como a palavra do ano de 2024. Essa expressão nada mais é do que o efeito causado pelo uso excessivo de redes sociais e pelo consumo desenfreado de informações.
Muitos estudiosos acreditam que o excesso de tempo que dedicamos às telas, sejam smartphones, computadores e TV, trazem como consequência uma espécie declínio cognitivo e perda de senso crítico em relação ao mundo ao nosso redor.
A grande maioria de nós, já nos primeiros momentos do dia, dedica um tempo substancial ao consumo de conteúdo de redes sociais como Instagram, Tik Tok, dentre outras, numa atividade quase infinita de rolagem de tela, chamada de scroll, que nos insere em um carrossel interminável de conteúdo de fotos, vídeos, estes geralmente de curta duração, que bombardeiam nosso cérebro com informações que nossa mente não consegue processar.
Hábitos que desenvolvem mais a nossa capacidade intelectual como a leitura e até mesmo a meditação adquirem um status secundário em nossas preferências. Ler um livro passa a ser um sacrifício e até mesmo uma atividade em que já não mais conseguimos nos concentrar.
O mundo atual exige mais velocidade e menos concentração em nossas tarefas e os principais prejudicados nesse processo de reestruturação cognitiva são as crianças e adolescentes que nasceram em um mundo estritamente digital.
Para os adultos que viveram o período de transição entre o analógico e o digital, o desafio também não deixa de ser grandioso, pois temos a tendência de desejarmos as facilidades de um mundo mais imediato e efêmero em seus desejos, posses e resultados.
Seria impossível no mundo em que vivemos, abdicarmos das facilidades e maravilhas que o mundo digital nos proporciona, mas é de grande valia estabelecermos limites de consumo de conteúdos em excesso.
Uma vida equilibrada com um tempo de tela limitado, aliado às práticas de exercício cerebral como a leitura, aprender uma nova língua estrangeira, reservar momentos de meditação e de contato com a natureza e acima de tudo priorizarmos nossas relações humanas de maneira mais real e menos virtual são a saída para o tão temido “apodrecimento cerebral” que o excesso de contato com as maravilhas do mundo digital causa em nossa cognição e senso crítico.
Por Pablo Rolim