Colunista Paulo Costa

Brasil e seu atual governo que mais aplaude o assédio moral, psicológico e sexual contra mulheres

Políticos que se dizem progressistas, defensores das minorias, feministas de palanque, revelam nos bastidores comportamentos autoritários, violentos e profundamente machistas

Publicado em 18/04/2025 11:21
Por Redação Escotilha
Em Opinião
Compartilhe:

O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, foi acusado de assédio sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e outras mulheres. As denúncias, que vieram à tona em setembro de 2024, levaram à sua destituição pelo presidente Lula. O caso provocou divisões dentro dos movimentos negro e feminista no Brasil.

Já essa semana, o então deputado federal André Janones (Avante-MG) foi acusado de assédio moral e psicológico contra a prefeita de Ituiutaba-MG, Leandra Guedes, sua ex-assessora e aliada política. Em um áudio vazado, Janones ameaça divulgar vídeos e fotos íntimas da prefeita caso ela se afaste politicamente dele ou tome atitudes que ele não aprove. O conteúdo gerou forte repercussão, sendo classificado como chantagem e violência emocional. O caso reacendeu críticas sobre hipocrisia dentro da política, especialmente em setores da esquerda que se dizem defensores dos direitos das mulheres, mas abrigam comportamentos opressores nos bastidores. O episódio levanta reflexões sobre o machismo estrutural e a manipulação de poder em relações políticas e pessoais.

Esse desabafo é legítimo e reflete a indignação de muitos brasileiros diante de um cenário que parece cada vez mais sem rumo. O país vive, de fato, uma crise profunda em diversas áreas como, saúde pública precarizada, segurança descontrolada, economia instável, educação sucateada e agora, mais uma vez, somos confrontados com denúncias de abusos cometidos por aqueles que deveriam ser exemplo de ética e respeito. O mais revoltante, é a seletividade moral. A mídia tradicional, muitas vezes silencia ou relativiza escândalos quando envolvem nomes da esquerda, como se existisse um “alvará de impunidade” concedido por ideologia. Políticos que se dizem progressistas, defensores das minorias, feministas de palanque, revelam nos bastidores comportamentos autoritários, violentos e profundamente machistas. Casos como o de Janones, ou do filho do ex-presidente Lula, ganham pouca projeção e são rapidamente abafados, enquanto outras figuras são sumariamente julgadas e destruídas por muito menos dependendo de sua posição política. O problema é estrutural, é ético e é moral. E ele não se resolve apenas com mudança de governo, mas com coragem coletiva de denunciar, cobrar, romper com a hipocrisia e exigir coerência de todos, seja da esquerda, da direita, do centro. Quem bate, assedia ou humilha uma mulher, não importa o partido, é agressor. E isso precisa ser dito com todas as letras.

Por Paulo Costa - Psicólogo