Colunista Pablo Rolim

Ceará Sem Segurança

Essa semana o Ceará se deparou com um chamado de uma deputada estadual da base de apoio do governador conclamando a população para participar e apoiar um evento intitulado Marcha da Maconha

Publicado em 14/05/2025 21:43
Por Redação Escotilha
Em Opinião
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É fato que o estado do Ceará vive um dos momentos mais delicados em relação a problemas com a Segurança Pública. 2025 tem se mostrado um ano muito desafiador para as autoridades públicas responsáveis por esta área tão delicada e carente de ações mais concretas e efetivas.

É comum nos depararmos diariamente nos jornais com notícias de homicídios e chacinas envolvendo disputa pelo controle de áreas entre as chamadas facções criminosas. O último caso aconteceu no dia 06 de Maio em um campo de futebol na Barra do Ceará, bairro da capital Fortaleza, com o resultado de 4 vidas dizimadas pela violência urbana.

O Governo do Estado, liderado pelo governador Elmano de Freitas buscou se posicionar após o ocorrido com a implementação de medias imediatas de reforço no policiamento nas regiões com mais incidência de conflitos como medidas paliativas, porém sem efetividade duradoura.

Outro caso de violência que intrigou bastante nosso estado foi o assassinato de um empresário da cidade de Limoeiro do Norte-CE no último dia 30 de Abril quando saía de uma padaria no Bairro Luciano Cavalcante, também na capital cearense. As linhas de investigação indicaram 3 policiais militares suspeitos de participação no crime e as circunstâncias do caso indicam que entre os motivos da execução do empresário está a provável disputa empresarial por contratos de obras em prefeituras do interior do estado.

A situação se agrava de maneira assustadora quando vemos um total descontrole do Estado no combate direto a ações que vão desde o domínio territorial das facções criminosas em bairros da periferia da capital e região metropolitana ao envolvimento direto de policiais em crimes sob encomenda. Um ponto que cabe reflexão é que há muito tempo também se fala da influência das facções em resultados de eleições municipais em cidades cearenses.

Para agravar ainda mais o contexto, essa semana o Ceará se deparou com um chamado de uma deputada estadual da base de apoio do governador conclamando a população para participar e apoiar um evento intitulado Marcha da Maconha sob o pretexto de garantir o acesso dos cidadãos a tratamento de saúde com uso medicinal da cannabis.

Ao visitar o perfil oficial do evento no Instagram, marcado para o próximo dia 25 de Maio, o destaque do movimento é dado também para a dita “legalização e regulamentação de todas as drogas”. Outros depoimentos que podemos ver no perfil são de representantes de partidos como o PSOL, citando a importância do “consumo consciente da maconha”, seja para uso “terapêutico ou recreativo”.

No momento difícil que o Ceará vive, com a total incapacidade do governo em lidar com o tráfico de drogas e ascensão do crime organizado no estado, um tema tão complexo como a legalização do uso de drogas, que é motivo de debate em vários países do mundo e conta com experiências comprovadamente não exitosas em nações como a Holanda, Uruguai, Portugal, etc. deveria ser tratado com mais cautela pela sociedade cearense e seus representantes.

Por Pablo Rolim