Colunista Paulo Costa

Violência contra a mulher: até quando?

O Brasil está cansado de ser conivente com monstros travestidos de vítimas. A sociedade precisa entender: agressão não é doença, é escolha. E escolha tem consequência

Publicado em 31/07/2025 22:43
Por Redação Escotilha
Em Opinião
Compartilhe:

Não dá mais para normalizar. Não dá para relativizar. E muito menos para aceitar justificativas esfarrapadas travestidas de laudo médico. O que aconteceu no Rio Grande do Norte, um homem espancando brutalmente uma mulher com mais de 60 socos no rosto, fraturando ossos e desfigurando sua face, não é um “surto”. É covardia pura, é crueldade descarada, é violência deliberada. E nada, absolutamente nada, justifica isso.

Sim, a violência contra os homens também existe, e sim, há mulheres que manipulam, que usam filhos como armas e que ferem psicologicamente. Isso precisa ser combatido com a mesma firmeza. Mas o que está em pauta agora é algo ainda mais primitivo: o uso da força física para esmagar a dignidade de uma mulher indefesa. E isso é um crime. Não um desequilíbrio momentâneo, não um transtorno, não um desvio diagnosticável.

O mais revoltante? Tentar usar o autismo como desculpa. Ora meu amigo, você está brincando com o povo brasileiro, está brincando com a cara das mães atípicas? Autismo não é sinônimo de violência, nunca foi e não será você que dará esse esteriótipo. Quem diz isso é desonesto, é ignorante ou está tentando usar o transtorno como escudo para escapar da justiça. Não se vê esses “surtos” com homens. Nunca se vê um desses covardes entrando numa academia para bater em quem pode revidar. É sempre no elevador, no corredor, no quarto fechado, contra quem não tem como se defender.

E pior: ainda há laudos técnicos assinados por profissionais irresponsáveis, que contribuem para esse teatro nojento. O erro desses peritos não é técnico, é ético, e a consequência é real: gente perigosa voltando às ruas, sustentando a impunidade com um papel na mão. O Brasil está cansado de ser conivente com monstros travestidos de vítimas. A sociedade precisa entender: agressão não é doença, é escolha. E escolha tem consequência.

E que fique claro: isso não é um caso isolado. É um retrato de um país que precisa urgentemente rever o valor que dá à vida da mulher. Que a justiça venha. Não com desculpas, mas com sentenças firmes, verdadeiras e urgentes. Porque o silêncio, neste caso, também agride.

Por Paulo Costa - Psicólogo