Fortaleza e Sobral recebem o show “Sandra Pêra em Belchior”, acompanhado de banda, no mês de abril

É no palco do Theatro José de Alencar (TJA), no próximo dia 12 de abril, às 19 horas, que a atriz, diretora, compositora e cantora Sandra Pêra prestará homenagem ao cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenele Fernandes. O segundo álbum solo de sua carreira musical, “Sandra Pêra em Belchior”, estreou em setembro do ano passado no Rio de Janeiro e já percorreu Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo até chegar ao Ceará, que contará com outra apresentação no município de Sobral (14/04), cidade natal do compositor, que faleceu no dia 30 de abril de 2017. A direção deste projeto que está viajando o país é de Amora Pêra, filha de Sandra e Gonzaguinha.

O repertório de 17 canções, bem ao estilo cancioneiro de Belchior, é marcado pelos clássicos “Paralelas”, “Medo de avião”, “Todo sujo de Batom”, “A palo seco”, “Velha roupa colorida”, “Mucuripe”, “Galos, noites e quintais”, “Sujeito de sorte”, e “Ano passado eu morri, mas esse ano eu morro” – esta última, de autoria do repentista paraibano Zé Limeira, absorvido na canção do compositor cearense -, só para citar alguns dos sucessos presentes ainda hoje na lembrança de muitos fãs. Amiga pessoal de Belchior, Sandra Pêra conta que o repertório foi concebido com a presença de outros compositores clássicos da música brasileira.

Nomes como Gonzaguinha (Eu apenas queria que você soubesse), Fernando Lobo (Chuvas de verão), Dominguinhos – em rara parceria com Djavan (Retratos da vida), Marisa Monte e Arnaldo Antunes (Não vá embora), e Paulinho Moska (Somente nela), além de uma canção autoral em parceria com Guilherme Lamounier (Se pode criar), fazem parte deste grandioso projeto que a cantora Sandra Pêra está levando para os brasileiros e outros admiradores do cearense. Esse retorno musical acontece após um hiato de 38 anos sem gravar, mas ela jamais abandonou os palcos do teatro, o cinema e a televisão desde 1970. Ano, inclusive, que ficou conhecida nacionalmente como integrante do grupo “As Frenéticas”.

“Eu nem era nascida e o Theatro José de Alencar já fazia parte da vida da minha família. Minha mãe, meu pai e minha irmã aos cinco anos já pisaram naquele palco, quando ainda não haviam colocado os vidros. Certa vez, minha mãe estava em cena e veio um morcego. Ela saiu correndo e gritando. Quando pisei nesse palco, cantando com As Frenéticas, já tinham colocado vidros. Agora estou retornando ao Ceará e com muita vontade de fazer o público cantar comigo a obra do Belchior”

Sandra Pêra

Trajetória

Nascida em uma família de atores de teatro e irmã de um dos ícones dos palcos brasileiros (Marília Pêra), Sandra Pêra tem uma trajetória marcada por múltiplas performances na cena cultural do país. Musicais e peças de teatro, como “A Vida Escrachada”, de Joana Martini e Baby Stompanato (1971); “Pobre Menina Rica” (1972), com direção de Carlos Lyra; “Jesus Cristo Superstar” (1973), “Pippin” (1974) e “A Verdadeira História da Gata Borralheira” (1976), estão na lista de suas primeiras atuações. Também trabalhou como backing vocal da cantora e compositora Angela Ro Ro no Festival de Rock de Saquarema, em 1976. Na época, Sandra dividia apartamento com a atriz e cantora Zezé Motta.

Convidada por Nelson Motta, Sandra Pêra trabalhou na boate Frenetic Dancing Days, no Rio de Janeiro, tendo ao seu lado as atrizes Regina Chaves, Dhu Moraes e Leiloca Neves. Elas trabalhavam como garçonetes e, no fim da noite, faziam um show com canções ensaiadas por elas com o músico Roberto de Carvalho, como “Dançar pra Não Dançar”, de Rita Lee, e “Back in Bahia”, de Gilberto Gil. Por conta do nome da boate, o grupo passou a se chamar “As Frenéticas”. O figurino delas foi desenhado por Marília Pêra. Com o fim do Dancing, em 1977, elas foram contratadas pela WEA para gravar um compacto duplo com a canção “A Felicidade Bate a Sua Porta”, de Gonzaguinha e um pout-pourri com alguns rocks que elas cantavam no Dancin’. 

A música de Gonzaguinha estourou nas rádios e elas gravaram o primeiro LP, simplesmente intitulado “Frenéticas”, com as duas faixas e canções inéditas de Rita Lee (Fonte da Juventude), Nelson Motta (Pessoal Intransferível) e do Dzi Croquette Wagner Ribeiro (Vingativa). Nelson e Rita também compuseram juntos (com Roberto de Carvalho) o maior sucesso do disco, “Perigosa”. Em plena ditadura, a canção quase foi censurada. A temporada de lançamento do disco, no Teatro Teresa Rachel, no Rio de Janeiro, foi um grande sucesso. Elas receberam o Disco de Ouro, por mais de 300 mil cópias vendidas.

Multiartista

Após deixar as Frenéticas, Sandra gravou um disco solo, “Sandra Pêra” (Warner, 1983), trabalho que completa 40 anos atualmente. Atuou como atriz em algumas novelas e programas humorísticos na Rede Globo, mas seu trabalho se deu principalmente no teatro. Fez, entre outras peças, “O Reverso da Psicanálise” (1988)[9], ao lado de Yoná Magalhães e Luiz Fernando Guimarães; “Mãe Genti” (2000), de Ivaldo Bertazzo, com Rosi Campos e Zeca Baleiro[10]; “A Saga da Senhora Café” (2002), de Helóisa Perissé; “Capitães de Areia” (2005); “O Preço” (2007), com direção de José Possi Neto e mais recentemente, “A Porta da Frente” (2018), ao lado da atriz Miriam Mehler. 

Sandra também dirigiu algumas peças, entre elas “Acredite, Um Espírito Baixou em Mim”, com os atores mineiros Ílvio Amaral e Maurício Canguçu, que está há 20 anos em cartaz, tendo sido apresentada em mais de 400 cidades e vista por mais de 3 milhões de pessoas. No cinema, atuou em filmes como “Agonia” (1978), de Júlio Bressane, e “Dias Melhores Virão” (1989), de Cacá Diegues. Em 2004, Sandra assinou a direção do show “Baiana da Gema”, da cantora Simone.

Em 2008, Sandra lançou pela Editora Ediouro o livro “As Tais Frenéticas: Eu Tenho uma Louca Dentro de Mim”, biografia do grupo. O livro tem prefácio do doutor Drauzio Varella. Em 2016, Sandra estreou ao lado de Dhu Moraes, sua amiga desde antes de Frenéticas (elas se conheceram no musical Pobre Menina Rica, em 1972), o show “Duas Feras Perigosas”, com roteiro e direção do jornalista Rodrigo Faour. No espetáculo, elas cantam sucessos das Frenéticas, músicas de musicais em que atuaram e composições da MPB contemporânea. Em março de 2019, o show foi lançado em DVD pela Biscoito Fino.

Em dezembro de 2018, ao lado de Dhu e Leiloca, representou as Frenéticas no musical “70.doc – Década do Divino Maravilhoso”, que conta a história dos anos 70 por meio da música e estreou com grande sucesso no Theatro Net Rio. O espetáculo migrou para o Theatro Net São Paulo em março de 2019, contando também com a participação da cantora Baby do Brasil. Em junho de 2021, Sandra lançou, também pela Biscoito Fino, o disco “Sandra Pêra em Belchior”, todo dedicado à obra do compositor cearense que, segundo a lenda, compôs seu hit “Medo de Avião”, por conta da ocasião em que estiveram juntos num mesmo vôo, do Rio a Fortaleza. O disco contém participações especiais de Ney Matogrosso, Juliana Linhares e Zeca Baleiro. Mauro Ferreira, crítico musical do G1, elogiou o trabalho, dizendo se tratar de um “disco muito valorizado pelos arranjos e pelo tratamento dramatúrgico do repertório”.

Ficha Técnica:

SANDRA PÊRA 

Voz e roteiro 

AMORA PÊRA 

Direção e roteiro 

MIMI LESSA 

Direção musical e guitarra 

LOURIVAL FRANCO 

Teclado 

PEDRO PERES 

Baixo 

FLAVIO SANTOS 

Bateria 

FLÁVIA SOUZA LIMA 

Coordenação de produção 

JACKSON MARQUES 

Técnico de som 

RUBENS GONZAGA 

Técnico de luz 

Serviço:

– Fortaleza

Sandra Pêra em Belchior

Local: Theatro José de Alencar (TJA)

Endereço: Rua Liberato Barroso, 525, Centro, Fortaleza/CE

Data: 12/04 (quarta-feira)

Horário: 19 horas

Valor: R$ 20,00 para todas as pessoas, até 25/03 (PROMOCIONAL). Este valor não tem meia. A partir desta data, passa a ser R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)

Ingressos: Sympla (https://bileto.sympla.com.br/event/81185?utm_source=site-symplabileto-production&utm_medium=webapp_share&utm_campaign=webapp_share_event_81185

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